quarta-feira, 12 de junho de 2013

Querido mala,

Inspirada no blog-doseupai resolvi escrever sobre o meu pai hoje.
O meu pai! Como se fosse fácil escrever sobre ele... É engraçado, mas que figura rara.
Eu acho que as vezes eu posso até entender eu ter nascido assim ... Meio pra esquisita.
Vejam só, nao estou falando mal do meu pai, até porque eu nao conseguiria. Falar mal do meu pai é falar que ele é um mala, um pé no saco, um grosso. Realmente... ele é. Mas ele também é o cara que deu passagem para a senhorita do super mercado, que disse para metade das lojas do Rio de Janeiro  que nao tem telefone nem televisão em casa com o maior orgulho, ele diz que quer viver fora da grade. Ele é único que realmente  ri com  muita felicidade da própria piada, que se orgulha de soltar o maior número de puns de noite e se gabar com isso, é a pessoa que consegue gritar mais alto que todos em um momento em casa e depois diz que voce fala muito alto no onibus e mal emite som para ninguém ouvir sobre a sua vida. Ele é o cara que vai pra Paris , compra uma cerveja e quando bebe, diz com um suspiro de intenso prazer:  "cerveja boa da porra " . É o único que deixa uma criança peste pular na sua barriga com a força maior do mundo, que cantava "eu queria ser um peixeeee" com a maior empolgação, que dança o colo dos havaianos na garagem do prédio da mãe, que fala como um grosseirao...
mas que tem um coração mole. Um coração lindo aliás. Meu pai é o mais criativo do planeta, tem as melhores piadas e já quebrou o joelho em peladas. Falando em geladas, ele é o que bebe mas chama a filha de alcoolatra, que chama a Irma de maconheira mas que come spice cake e com isso consegue falar mais do que ja fala normalmente, que perde as pinças e bota a culpa no gnomo. Pois é, meu pai diz que nao acredita em deus, passa na frente de boate e fala que se jogar água quente tudo vida canjica, chama tudo que é diferente de marmota maaasss.. acredita que gnomos roubam suas pinças. Aliás, ele é viciado nelas. Deita no sofa de noite, pega uma cerveja, um biscuito que ele nao deixa a filha comer, e carrega a danada da pinça junto. Fica se pinicando todo enquanto vê tv, parece que é pra me implicar, mas se eu perguntar ele vai dizer " nao fode Helena ".  Por isso eu falo que vou fazer um Facebook pra ele ... FICA quietinho. Meu pai é grosso mas chora. Ele é homem mas chora. É humano.
E é isso que eu admiro mais nele. Ele nao é de vidro, para  mim ele é um diamantezinho, que eu posso admirar o resto da minha vida e guardar numa caixinha pra nunca perder (rs). Pois é, vou parar por aqui porque eu sou suspeita pra falar e sou boba também. Desde que cresci meu pai começou a gostar mais da minha irma Clara. Ok. Talvez eu me importe um pouquinho, mas e dai ? Eu tenho o pai mais mala do mundo , e isso já faz o meu dia, o meu dia nao, a minha vida.

Uma vez quando eu era pequena , eu ganhei uma passagem para a  Bahia, mas ao me despedir do meu pai, que eu só via nos finais de semana, eu perdi a vontade de ir pois perderia os dias com ele. Ele dizia para eu ir, aproveitar, mas me afastar do meu pai era a coisa mais dificil do mundo naquele momento. Só que eu fui, fui e vi que consegui me divertir. Acho que nessa viagem eu descobri uma coisa importante: estamos juntos papai. Independente do físico, lugar, planeta. Clarinha, tivemos  sorte.

Obrigada por ser assim como voce é, mala.
Muito mala.

Te amo,

Lelê.

Nenhum comentário:

Postar um comentário