quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Voz ouvida

Eu gosto da sensação do silêncio. Mas acho que ele não fala mais que mil palavras. Ele simplesmente não fala. Sente sensações de intensidade que não se medem por dentro. É como se o silêncio saísse de um lugar que você não acessa em você mesmo. É o lugar onde ninguém entra, muitas vezes nem você. É aquele lugar que te faz chorar sincero ou agradecer profundo, que te faz ficar com vontade de abraçar e que morre só de pensar em morrer ou de morrer por perder. Perder alguém que se ama. É onde existe o pressentimento e a inteligência. Mas também é o lugar das burrices, daquelas que são inteligentes. Adoro como esse ventilador gira, como o quadro quase desaparece no escuro desse quarto e como esse travesseiro é molinho e encaixa perfeitamente na minha cabeça. Como eu me perco no sono e acho estranho o barulho das pegadas lá de fora que já me despertam. Agora eu quero viver e morrer. Viver pra morrer...
de amor.

Helena Trevia
20/11

Roma

Talvez você seja realmente só uma ilusão minha. Ou uma loucura, delírio, bobagem qualquer...
As três horas de uma quarta feira, você lia um livro no parque de Roma. Sentado no banco de óculos e cachecol. Eu passava procurando algum lugar para sentar e descansar, primeiro dia de viagem, pressa... e aí eu o vi. Quieto, sem ansiedade alguma. Não se interessava no tempo e isso me interessou. O olhar sobre o livro me fez imaginar você criança. Parecia inglês, adoro sotaque inglês. Me lembrava um pouco o mundo de Harry Potter. E se magias também pudessem ser reais? Tira um pouco o olhar do livro, talvez exista alguém parecido com você nesse parque. Será gay? Acho que não. Parecia... incompreendido, de poucos amigos. Deve ter um olhar profundo se olhar as pessoas como olha o livro. De casa não sente saudade, só dos pais. É muito amado. Mas quer.. pé na estrada, ouvir  alguns cantos diferentes...
Acho que seria legal escutar uma banda iniciante ali no Pub da esquina com você. Pediríamos um café e você perceberia que eu também... não sei. Eu não sei porque a bolha incomoda, porque o vento sopra de um jeito diferente aqui. Você me diria que eu sou linda e eu te diria sobre o seu olhar. Você PRECISA saber sobre o seu olhar. Ei, não vai me olhar de volta? Se alguém do parque estiver me observando vão me achar maluca. Talvez o seu inconsciente esteja me ouvindo... que nada, mas que bobagem. Você não tira os olhos do livro. Talvez seja melhor eu perguntar alguma informação de roma, assim você me olha, eu descubro sua língua , seu jeito. Vergonha no peito. Forte demais. Carpe diem, vida rápida, bora! Estou viajando e que... Foda-se. Vou embora daqui.
Passo o portão, ando, ando. Droga, ainda penso nisso e errei o caminho. Volto, passo na frente do parque. Você ainda está sentado, mas o olhar mudou de direção. A direção está em mim. Sorrio, mas não vou até você. Eu não vou estragar o momento.
Obrigada Roma.

Helena Trevia
19/11